A Vida Social das Coisas
- Derek Fernandes
- 19 de abr. de 2023
- 2 min de leitura
São Paulo, 2023:
Algumas pessoas são reconhecidas por transformar o ordinário em belo diante dos nossos olhos. Normalmente essa magia se dá por meio das artes clássicas como pintura, cinema ou a fotografia. Outras vezes a mágica está no significado que atribuímos aos objetos e a importância que damos a algo é capaz de adicionar camadas de brilho ao que era ordinário. Podemos ser responsáveis pela aura dos pequenos corpos que nos orbitam. Criadores da luz e da escuridão em suas histórias.

O arquiteto e designer de games Lucas “Mídio” Carvalho é uma dessas pessoas, e essa capacidade fica muito clara para quem vê as imagens dos dois endereços dele em São Paulo. Dono de um olhar certeiro para o garimpo de móveis e objetos, ele povoou os próprios endereços com dezenas de pequenas histórias incorporadas em itens que capturam nosso olhar e imaginação.

Observar esse, e tantos outros lares, é um exercício onde temos sempre duas opções: enxergar o morador e o conjunto de elementos arquitetônicos e decorativos que o cerca. Ou podemos contemplar uma pequena galáxia, e tentar ler as pequenas atmosferas que fazem parte dessa formação. A segunda forma foi o caminho escolhido nesse texto e nas imagens que usei para ilustra-lo.

Quando se formou em arquitetura pela Unicamp em 2010, Lucas já tinha contigo a certeza de ser um pesquisador. E certamente entre os colegas a fama de um bom contador de histórias. Foi assim que ele destacou em seus feitos acadêmicos e posteriormente nos diferentes grupos de trabalho e amigos que frequentou. Com facilidade em aprender e sendo autodidata, como acontece com a maioria dos curiosos, ele conseguiu traçar um caminho não tão linear para o que tem hoje como profissão. E foi como criador de cenários para video games que ele viu a possibilidade de se estabelecer na cidade de São Paulo em 2014.

Frequentador de feiras de pulgas e antiquários, não demorou até que ele conseguisse reunir uma série de itens para os quais registrou cuidadosamente a origem e trajetória. Para alguns deles emprestou um pouco de fantasia da própria história, como os pedaços de diferentes árvores nativas que pendurou pelos cômodos (de forma ecologicamente ética) ou cerâmicas que usa para receber e cuidar dos amigos. Muitos itens já não fazem parte do dia a dia dele, foram vendidos ou presenteados e hoje são elementos de novas histórias.

Já outros itens fazem parte da sua própria personalidade , como os três sofás amarelos que serviram como linha de partida para os diferentes capítulos dos lares dele no Brasil e agora na Itália, onde ele certamente aprenderá e contará outras histórias.
































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